Outro dia lá em casa a fera (chamamos assim a pessoa recém-chegada na residência estudantil de Juazeiro da Universidade do Estado da Bahia), amanheceu com mal estar, reclamando que não dormira à noite e que passara a madrugada em claro devido ás fortes dores que sentia. Estava com febre alta e dores nos olhos, então sugeri que fôssemos ao posto de saúde do bairro São Geraldo, defronte à nossa residência.
Então lembrei-me que esta não seria uma boa idéia, visto que no posto, além de ser difícil conseguir uma das dez vagas diárias de atendimento, corria o risco de não haver medicamento para abrandar suas dores. Até hoje espero minha consulta no otorrino que a “dedicada” recepcionista ficou de me ligar quando fosse marcada. Soubemos então, que o posto de saúde localizado atrás do Mercado Almeida atendia todos os casos de suspeita de dengue naquela localidade. Isso mesmo, naquela ocasião já tinha a convicção que a fera estava com dengue!
Após a hora do almoço fomos em direção ao tal posto médico. Saco vazio não para em pé ainda mais quando o saco está furado. Chegando lá encontramos o bendito posto com as portas fechadas e várias pessoas, com os mesmos sintomas da fera, esperando que o atendimento médico se iniciasse.
Às duas horas, a recepcionista, “sempre simpática e alegre, feliz com seu trabalho”, avisou que não teriam vagas suficientes para atender todas as pessoas presentes e que os enfermos que chegaram por último deveriam procurar o hospital da Santa Casa de Misericórdia, localizado no centro de Juazeiro, pois lá teria subsídios necessários a um bom atendimento dos doentes e para a confirmação da doença nos casos de suspeita de dengue.
Não tivemos remédio, seguimos para o hospital misericordioso. Assim que entramos no recinto, muita gente doente, moribunda, crianças chorando, um grande pandemônio, fizeram com que a fera, acometida de um milagroso restabelecimento, decidisse por voltar para casa e ser atendida no dia seguinte.
No outro dia, a adoentada não quis mais se consultar com os médicos, tomou algumas aspirinas de Paracetamol e começou a beber bastante liquido em casa, limitando-se a repousar.
Uma colega da outra residência feminina avisou-me que outra residente estaria com suspeita de dengue. Esta já havia ido ao tal hospital da Santa Casa e não conseguiu consulta, então passei a informação que nos fundilhos do mercado tinha um posto de atendimento aos doentes dengosos. Na hora pensei: “ontem não consegui o atendimento para a fera e hoje acabei sugerindo algo que não tinha sido satisfatório no dia anterior”. Mas o que eu iria fazer, se esta “vitima” também tinha ido à opção que eu julgava certa e não tinha sido atendida? Eu me senti na obrigação de oferecer uma esperança.
A cidade não está dando conta de diagnosticar os doentes e tampouco cuidar deles. Outro dia liguei para a prefeitura solicitando que o inseticida fosse disponibilizado no bairro São Geraldo, visto a grande quantidade de mosquitos Aedes aegypti encontrados na região, bem como a enorme quantidade de água parada existente no local. Do outro lado da linha o funcionário avisava que o material de combate ao mosquito da dengue estava escasso e não teria como passar no bairro.
Aí entendi o desespero do povo. Qualquer dorzinha de cabeça corre para os hospitais afirmando que está com dengue. As pessoas não vêem os agentes de saúde de combate a endemias nos seus bairros. A fera lá de casa avisou que não estava com dengue, pois suas dores passaram, era apenas uma mera gripe e a garota da outra residência (graças a Deus!) conseguiu ser atendida no posto dos fundos do Almeida, no caso dela o mosquito (fêmea) transmissor se alimentou do seu sangue.
E nos outros casos? E as crianças chorando nos hospitais, será que foi um resfriado, será que foram atendidas? “Quem souber morre”, quer dizer, mata o mosquito da dengue.

Um comentário:
Bacana seu blog. Parabéns.
Gosto desta do mosquito! a do cortejo tbm! heheheh
Boa sorte ai amiga... e dê sempre noticias! Abração forte
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