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...o real e o poético se misturam no Jornalismo

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Estudante de Jornalismo em Multimeios da Universidade do Estado da Bahia.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Dama de Véu, ...com u

O primeiro dia encontrei-a num banco de concreto
Conversando com meu velho sobre um futuro incerto
De óculos de grau no seu rosto bem certo
E uma blusa azul. È patricinha decerto

Andando com uma pasta por um caminho bem reto
Com um grupo definido, ingênuo e modesto
Mais às vezes escapulindo para grupos dispersos
Cansada de fazer sempre o mesmo correto

Um toque deu-me num dia perverso
Na residência tem vaga escondido converso
Moradoras legais e gosto eclético
Você vai gostar disse-me ela bem perto

Parceira de reggae e de estudos conexos
Dancinhas esquisitas e quedas por certo
Agora se vai, num caminho convexo
Fazer seu futuro num mundo incerto



Verusa, essa é uma pequena homenagem que lhe faço por ter passado pela minha vida e por ajudar a fazer com que ela fosse preenchida com os melhores momentos que pude vivenciar. Continuo não te entendendo (risos) e continuo te respeitando, conservando a amizade... Deste modo, para mim, valeu a pena.
Felicidades e bons conhecimentos!!!!


Jacy Nunes
17 de Outubro de 2008

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Conversa com De Marco

Quando a professora sugeriu a leitura do texto de Jorge Larrosa e fazer um resumo sobre o mesmo, não imaginava que teria uma grande surpresa. Pensei! Vou ter que ler rápido para fazer este texto, afinal iria ter uma discussão no dia seguinte sobre o tema.
Ao começar minha leitura tudo o que havia planejado “tinha caído por terra”. Como fazer uma leitura em tão pouco tempo, rápida se o texto sugere o contrario?

A cada página, parágrafo lido fui me identificando com o chamado por Nietzsche de leitor moderno. Realmente vivo apressada, correndo contra o tempo para fazer todas as minhas atividades diárias, inclusive a dedicação a leitura. Mas não é isso que a modernidade impõem? Na própria universidade somos obrigados a ler rápido. Quando pegamos livros na biblioteca temos que entregar em três dias e eu necessito ler três vezes o mesmo capitulo para entender o conteúdo da obra. É claro que isso vai de pessoa para pessoa, afinal temos que nos conhecer, nos achar/avaliar a cada debruçada sobre um livro.

Voltando a Nietzsche, este defende uma leitura profunda, desprovida de qualquer conceito, ou seja, ele nos chama atenção para que, uma leitura seja proveitosa temos que ir a leitura sem qualquer idéia pré-concebida isenta de qualquer conceito para que assim possamos retirar algo que nos sirva, não que devemos achar que tudo o que esta num livro trate-se da verdade, do certo e do correto, mas em entender o significado do texto de acordo com o seu olhar, o seu entendimento, pois a compreensão de um texto irá depender de quem esta lendo. “Ser surdo a uma obra, mesmo que a tendo compreendido, supõe ter vivido outras experiências e, sobretudo ter outra disposição diferente daquela que a obra expressa”.(Jorge Larrosa).

È “bonito” trocar de carteirinha, em curto tempo, nas bibliotecas quando estão preenchidas, pois supõe-se que o usuário seja uma pessoa que gosta de ler, um sábio. Mas será que ele esta se encontrando nestas obras? Será que com o passar de alguns dias ele esqueça tudo o que leu, ou pior, esqueça que leu um certo livro? Difícil falar pelos outros é mais fácil entender este questionamentos quando nos avaliamos. Toda dificuldade que tive em fazer este texto foi justamente à falta de tempo para ler o texto de Larrosa. “Nietzsche desconfia de nós, os leitores modernos. Suspeita que não temos tempo” (Jorge Larrosa). Ao fazer uma leitura rápida, sem profundidade não é o mesmo que esta presente em uma aula e não ouvir o que a professor diz?

Paradoxo a isso encontrei um parágrafo no texto que me deixou confusa: Após um longo discurso no qual Larrosa aponta como Nietzsche avalia e questiona a leitura moderna ele -Larrosa/Nietzsche- diz para “jogar fora” todos os seus conceitos, a trair seus ensinamentos. Paro. Penso no que realmente Nietzsche quer com sua filosofia. Causar confusão em nossas mentes ou somos nos que não dispomos de inteligência o bastante para compreender os seus escritos e sua ideologia (se é que eu posso chamar assim)? Torna-se mais confuso ainda saber que Nietzsche escreveu para a geração do século XIX, momentos de grandes transformações históricas e ideológicas. Imagina o que ele escreveria para a geração do século XXI.
(Alguma data e mês de 2006)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Indo ao desconhecido


Aventureiros, descobridores ou simplesmente curiosos. Assim saíram futuros jornalistas em busca de conhecimento nos ares pernambucanos. Primeira parada, depois de uma longa viagem regada a refrigerante limão (será só a limão?) e muita cantoria, no hotel localizado no centro de Recife, defronte ao hoje inutilizado rio Capibaribe. O rio gigantesco que antes era rico em alimentos e belo em sua natureza, hoje se encontra como um esgoto a céu aberto, enquanto projetos que prevêem sua revitalização correm pelas gavetas da nossa burocracia política.

Depois de realizadas às acomodações (meninas com meninas e meninos com meninos) e de um farto, mas popular, café da manhã, os desbravadores subiram novamente ao ônibus para uma nova viagem, desta vez não tão longa; conhecer o Jornal do Commercio localizado num bairro da cidade. Ao chegar na portaria da empresa de comunicação logo perceberam sua magnitude. Todas as categorias de comunicação pertencente ao grupo comunicacional mais antigo do Brasil presente num só lugar. Bastaram alguns minutos na portaria para que um funcionário do setor de marketing (que a narradora não se recorda do nome e quem lembrar pode acrescentar) viesse atende-los no intuito de acompanhar nossa viagem ao mundo da imaginação e da realidade. Imaginação pelo fato da TV e do Rádio exercer esse fascínio no seu público e realidade pelo fato do JC ser uma empresa de comunicação jornalística que trabalha com a realidade, características bem pontuadas pelo acompanhante de nome ignorado.

No Jornal do Commercio, os curiosos estudantes, puderam conhecer a Rádio Jornal, onde umas das alunas pôde dialogar com o locutor ao vivo durante uma entrevista com candidatos a prefeitura da capital de Pernambuco. Na redação da rádio se ouviu comentários como: fulano está de bom humor, deixou o povo toda entrar no estúdio. Olha como ele estar bonzinho? Bem ou mal humorado o fato é que o locutor anunciou a presença do grupo baiano na cidade, bem como conversou com alguns estudantes sobre a "mídia da emoção" conforme define e titula em seu livro a mídia radiofônica o autor Ciro César.

Após os 15 minutos de fama, o grupo andou pelo prédio bem organizado até à TV do grupo, denominada TV jornal. Lá pôde conhecer os equipamentos, a redação jornalística, lugar de elaboração das notícias exibidas na TV e nos estúdios de gravação dos telejornais, onde as estudantes aspirantes a âncoras de televisão tiraram fotografias na mesa dos apresentadores dos noticiários. Sentiram-se à vontade também para conhecer os estúdios dos programas de entretenimento como o programa Interativo, onde os estudantes simularam entre si como apresentadores e entrevistados diante de câmeras digitais, o programa Sabor da Gente, um programa de culinária apresentado pelo Chef Wellington com quem os alunos posaram diante do cenário doméstico. A curiosidade dos futuros jornalistas foi tamanha que houve perguntas feitas ao Chef como: "è você mesmo que faz a comida ou é ela"? Referindo-se à ajudante do apresentador.

Andando mais um pouco o grupo avista seu objeto de grande expectativa e motivo principal da viagem: conhecer o jornal impresso do Jornal do Commercio. Separado por editorias o JC impresso possui uma estrutura bem organizada e divida de atividades. Com um corpo de profissional formado por jornalistas, fotógrafos, produtores e estagiários o setor trabalha num ritmo acelerado o que encantou os visitantes ávidos pela notícia. E falando neles, após a entrada do grupo nessa vertente midiatica pôde perceber a relação de cada estudante com as editorias. Uns foram para a editoria de fotografia, outros para a de cultura, outros para de economia, outros para a de cidades, outros para o on-line. Todos eles encontrando em espaços diferentes o seu ambiente de trabalho de acordo com as suas afinidades. Conhecimento trocado, o grupo foi então conhecer a parte da confecção física do jornal, ou seja, o jornal como compramos nas bancas.

Uma sala grande e escura. No centro da enorme sala uma enorme máquina. A primeira impressão é que estavam diante de um filme de sessão cientifica. Todo o processo de produção do jornal impresso do Jornal do Commercio foi minuciosamente descrito pelo nosso acompanhante de identidade desconhecida do setor de marketing. O tamanho do papel para fazer o jornal não assustou tanto quanto o seu valor avaliado em mais de 10 mil reais cada rolo. Passando mais uma sala e se observa o deposito de jornais prontos para ser distribuídos à população. Extasiados com tanta descoberta e conhecimento sobre a recriação da realidade que são oferecidas todos os dias à sociedade, os alunos se despediram do Jornal do Commercio levando consigo a certeza de ter conhecido um grande empresa de comunicação que ao longo dos anos cresceu em sua magnitude e abrangência.

Próxima parada: Olinda e Tv Nordeste, mas isso fica para 2ª edição...

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

O passado e o presente

"Assim como em outras sociedades, os sacerdotes foram dotados de poder pelo seu saber divinatório e premonitório, a sociedade atual necessita da história para construir um presente diferente de seu outro, que é o passado. Necessita da história para conhecer o outro do passado, que uma vez morto, torna possível o mundo dos vivos." (DE DECCA)

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

A etnografia e a crônica da realidade

È uma metodologia de pesquisa com grupos culturais, que possibilita a descrição de fatos ou eventos menos previsíveis ou manifesto no contexto de uma comunidade. Investiga práticas sociais, culturais e contextos específicos identificando as interações sociais existentes. Através dessa metodologia, se dá a observação direta dos padrões e comportamentos humanos em seu modo de organização. Usando a metodologia etnográfica é possível costruir crônicas da realidade por meio de pesquisas documentais –livros, revistas e jornais- e pela história oral provenientes de entrevistas em profundidades com os povos de uma determinada sociedade. Assim a crônica da realidade pode se configuarar como um texto jornalístico, uma vez que, o narrador "vai à campo", investiga, estuda e contextualiza os assuntos e situações ocorridas configurando, desse modo, a crônica como uma vertente e uma maneira alternativa de praticar jornalismo.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Palavras de João do Rio

"Mas se um moço escritor viesse, nesse dia triste, pedir um conselho à minha trsiteza e ao meu desconsolado outono, eu lhe diria apenas: ama a tua arte sobre todas as coisas e tem a coragem, que eu não tive, de morrer de fome para não prostituir o meu talento". (João do Rio -Paulo Barreto).

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Oficina Leitura e Crítica da Mìdia



Alunos de 2º e 3º ano da Escola estadual Rui Barbosa (anexo), localizada em Maniçoba distrito de Juazeiro/BA, participaram no dia 02 de Setembro, da Oficina de leitura e crítica da mídia. Sendo uma extensão dos trabalhos de TCC de Verusa Pinho, do trabalho de conclusão de curso de Jacy Nunes e com o apoio de Micael Benaic, a idéia da oficina é preparar o público-alvo para uma análise e leitura das produções desenvolvidas pelas estudantes, no caso de Verusa um livro-reportagem sobre o distrito de Itaitu em Jacobina/BA e no caso do trabalho de jacy, um livro-reportagem-crônica sobre Juazeiro. A oficina possibilita também uma comprensão e reflexão sobre a maneira de como as mídias atuais informam a sociedade, alertando os participantes sobre a importância de cobrar dessas empresas de comunicação o dever de prestar um serviço de qualidade para o público com responsabilidade social e sobretudo com ética.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Um momento, segundo as crônicas

Um dos gêneros de destaque do jornalismo literário seria a crônica, dotada de “autonomia estético-estilística” segundo Neiva (2005). Ligada inicialmente à concepção de tempo, a etimologia da palavra permite uma associação ao contexto histórico dos fatos, sentido cronológico da narrativa. A carta de Pero Vaz de Caminha é um exemplo do gênero que concedeu aos escritores espaço na imprensa diária e periódica, por meio de textos ricos em linguagem.

“A crônica começou a ilustrar as incertezas, angústias e as inquietações do homem num ambiente urbano que refletia os sintomas de uma sociedade capitalista, seduzida pelo consumo e pela fugacidade da vida moderna” (NEIVA, p.4,2005).

A crônica passaria, então, a possibilitar variadas interpretações, do denotativo ao conotativo, como diria o semiologista Roland Barthes (1990). Para ele, “não há imagem adâmica, o processo de conotação é constitutivo de qualquer imagem” (apud JOLY,1993, p. 83). Interligar texto e imagem é uma tentativa realizada por teóricos diversos. Roland Barthes (1990), por exemplo, afirma que existe uma unidade de interpretação com níveis distintos de entendimento, que vão do mais inconsciente à reflexão. Blikstein (2003) utilizaria os termos percepção x cognição, para caracterizar a relação que desenvolvemos com o mundo repleto de signos, representações e códigos criados socialmente.

Mundo Atual

Sociedade egocêntrica
Individualismo social
Direitos restringidos
Violência geral

Inteligência violada
Corrente mental
Saber proibido
Verdade mortal

Cores apagadas
Preconceito moral
Diferenças punidas
Racismo normal

Segredo conhecido
Amizade do mal
Valores perdidos
Perfil plural

04/05/2008

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Serviço e Comunidade

A imprensa se configura como um serviço para a comunidade com deveres que determinam a responsabilidade social de informar o cidadão, visto que, antes de ser um produto de consumo e de entretenimento, os meios de comunicação deve ser um serviço público para a sociedade. A imprensa, deste modo, deve passar as informações para a sociedade possibilitando que esta seja informada com elementos que favoreçam a leitura crítica dos conteúdos noticiados.
Todos nos somos comunicadores, e como tal, não devemos só receber informações, devemos fazê-las, principalmente, quando as notícias veiculadas pelas mídias não condizem com a realidade dos acontecimentos, ou seja, quando a imprensa noticia algo que não é verdade. Quando isso ocorre, entra à interferência do meio social, isso é dos telespectadores/ouvintes/leitores, através dos espaços destinados ao público (telefone, e-mail, espaço do leitor, fale conosco).
Dessa forma, a sociedade irá cobrar posturas dos meios de comunicações como dos jornais impressos e televisivos. Mas para isso deve ter acompanhamentos de diversas mídias (jornais, TV, programa de rádio, blog e site de notícias). Só assim a sociedade poderá ter voz nas mídias.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Fazendo uma Mídia democrática

Em um texto, de Luiz Martins da Silva e Fernando Paulino, publicado no observatório de imprensa, chamado Em nome da Responsabilidade Social da Mídia, discute o projeto de pesquisa da universidade de Brasília (UNB), SOS - imprensa que se configura como um serviço para a construção de uma mídia melhor, mais cidadã e com responsabilidade social, visto que antes de ser um produto de consumo, a mídia deve ser um serviço público para a sociedade.
Criado em 1996, o projeto, busca trabalhar três pilares de conceitos. O primeiro relacionado aos erros e abusos da imprensa devido a comportamentos anti-éticos dos profissionais que vitimam pessoas civis, publicas e jurídicas e toda a sociedade, gerando dano moral coletivo, um exemplo disso foi o comentado programa do SBT, Domingo Legal apresentado por Augusto Liberato que vinculou uma suposta entrevista com os integrantes do PCC. O segundo conceito trabalhado pelos pesquisadores é a utilidade necessária da mídia para o interesse público e cidadão, onde a imprensa representa uma instância de recurso à sociedade para lhe dar voz, nesses casos podemos citar exemplos de comunicados de representantes políticos ao povo de sua nação. E o terceiro conceito é a liberdade de expressão que está em risco, quando jornalista, comunicadores e empresas da mídia são vitimados pelo fato de divulgar e informar algo que prejudiquem a imagem de seus agressores, nesses casos pode citar o caso Tim Lopes e os jornalistas presos, torturados e assassinados durante as guerras.
Trabalhando com o que os autores chamam de 5Rs; o projeto busca discutir maneiras de comportamentos e de posturas dos profissionais da mídia, como: Retificação, quando a imprensa comete pequenos erros mais que devem ser corrigidos; Retratação quando por solicitação das pessoas prejudicadas ou por iniciativa dos autores dos erros, há mais do que um simples ‘erramos’, há uma reconhecida e notória retratação e, por vezes, claramente um pedido de desculpas; Replica, quando mais do que reconhecer um erro, a imprensa concede, consensualmente, espaço às pessoas prejudicadas, para que façam os seus esclarecimentos ou exerçam o direito ao contraditório; Resposta, quando nenhum dos três primeiros Rs funcionou, consensualmente, o jeito é procurar, por meios jurídicos, que se faça justiça e, esta, em sendo feita, exige resposta de autoria do próprio ofendido, no mesmo espaço e ilustração ocupado pela ofensa; e Reparação por danos morais ou materiais, ou os dois, conjuntamente – quando o direito de resposta não foi suficiente, pois, por vezes, além de se ter que reparar a ofensa, sob a forma de versão caluniosa, os caluniados comprovam e fazem jus a reparações de prejuízos que amargaram, sejam em se tratando de decoro-reputação-inocência, sejam em termos de conseqüências materiais.
O SOS – imprensa contribui deste modo para a democratização das empresas de comunicação onde a mídia deixa de favorecer somente aos interesses políticos e das elites, abrindo espaço para que a sociedade e seus costumes tenham fala no mass média. Como espaço público e plural, a mídia amplia deste modo à chance de todos participarem dela, opinando e defendendo-se, e não somente sendo orientada e atendida, mas construindo juntos á cidadania. Deste modo, a Educação, Cidadania e jornalismo caminham junto a uma mídia democrática e de todos.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

A narração e contextualização


Na tentativa de esclarecer o leitor sobre um acontecimento atual proveniente de outra circunstância, o jornalista causa uma ruptura da narrativa para contextualizar esses elementos com dados novos, como explica Lima (2004), ou reordenando os dados conhecidos de modo a construir uma narrativa fluente. “È conveniente que instigue o leitor, dando-lhe elementos que possa mesclar com outros para ele próprio encontrar novas combinações possíveis de compreensão do mundo” (LIMA, 2004, p.146); Ainda sobre isso, diz Medina (1988); “o narrador vem vindo fluentemente e, de repente, introduz uma explicação, um esclarecimento, mudando o ritmo da narrativa".

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A crônica da realidade e a imaginação

O discurso literário presente na crônica da realidade está fundado na possibilidade de traduzir diferentes matizes do real defendidos por Cremilda Medina· ao afirmar que a consciência possui a capacidade de apreender as inter-relações que afetam os humanos. “A descoberta de ponta, de vanguarda, é de que as realidades de diferentes dimensões sobrepõem-se, interpenetram-se” (LIMA, 2004, p. 102). Sendo assim a liberdade é total para inclusive reinventar a própria linguagem. A realidade do jornalismo na crônica se aproxima, então, de uma literatura não exatamente ficcional. Medina segue dizendo que a imaginação (criação) é fonte comum em qualquer pauta jornalística e que como criação (não-ficção) é a possibilidade de descoberta de ângulos que facilitem a identificação de problemas imanentes ou subjacentes dessa realidade. Esse poder criativo está presente no discurso jornalístico, pois são necessárias analogias retóricas para a compreensão de fenômenos que estão longe da percepção humana.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Crônica e livro

“No momento em que a crônica passa do jornal para o livro, temos a sensação de que ela superou transitoriedade e se tornou eterna” (SÀ, 1985, p.53). Em constante busca pela eternidade, a crônica vem ao longo dos anos mudando seu espaço de atuação, cada vez mais rara nos diários periódicos, que as utilizam apenas como entretenimento e paliativos para ocupar espaço de jornais. Segundo Lage (2005), os cronistas que se destacam são os que conseguem construir textos duráveis sobre realidades momentâneas. Isso porque a crônica da realidade aborda assunto referente a um determinado tempo e contexto social.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

A Crônica...

Definida como “uma lista de acontecimentos ordenados segundo a macha do tempo” por Moisés (2001), a crônica como palavra vem do grego chonikós que estava relacionada à chrónos que quer dizer tempo. Assim não estava preocupada de início com a interpretação dos fatos, mas pelo registro dos acontecimentos segundo Andrade (2005). Desse modo pode perceber a função da crônica como uma maneira de registrar os fatos exercendo, portanto uma das características jornalísticas. Ainda de acordo com o texto de Andrade, a crônica surge em 1799 na França, onde Julien Louis Geoffroy passa a fazer criticas diárias no Journal Débats. Nesse instante a crônica começa sua configuração textual de registrar/contar fatos reais com posicionamentos críticos.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

A literatura, o livro-reportagem e o Jornalismo

A literatura entra no livro-reportagem (Jornalismo) como um recurso para humanizar e construir personagens envolvidos na questão, detalhar os fatos e favorecer a prática narrativa. Além disso, Lima (2004) afirma que além de informar, o livro-reportagem orienta e explica o objeto descrito.

“O livro-reportagem apresenta-se com aprofundamento igualmente extensivo e intensivo. No primeiro caso, o número e a qualidade dos detalhamentos enriquecem a narrativa para um grau de informação idealmente superior aos dos veículos cotidianos. No segundo, a verticalização solidifica a real compreensão do tema e de sua precisa inserção no contexto contemporâneo”. (LIMA, 2004, p. 40).

A crônica da realidade e o livro-reportagem fazem parte do jornalismo literário, como tal, pode-se dizer que a crônica em livro se constitui como Livro-Reportagem crônica. Em livros, esses textos, crônicos, visam construir e auxiliar o entendimento da significação referente ao acontecimento da realidade de uma situação de um tempo e suas implicações na atualidade.

Time da casa ou time do coração?

Um fim de semana como tantos outros que vindoura nas terras ardentes de Juazeiro, se não fosse um bendito programa típico dos brasileiros que reúne, na frente da televisão, os habitantes dessa cidade: A partida entre Flamengo x Botafogo pela disputa da Taça Guanabara do Campeonato Carioca de Futebol. Sim, mas qual a relação entre esse jogo e a "cidade da terra do sol" como Juazeiro é chamada pelos estudantes oriundos da capital baiana? E por que o Juazeiro já ficou sem público no mesmo dia em que havia jogo do Flamengo?

Em frente ao reformado posto municipal de saúde do bairro São Geraldo pode se ver casas. Estas com frentes arborizadas e local onde, nas primeiras horas da manhã pacientes que disputam dez “ingressos” de atendimento no centro médico se aglomeram em longas filas na esperança de serem medicados por um enfermeiro, é ocupado, agora, pelos “seus donos” que instalam cadeiras e mesas para reunir parentes e amigos durante o jogo “no calçadão irregular e azulejado da sua porta”. Com portas e janelas escancaradas e grande algazarra, dá a entender que não se trata de mais uma reunião familiar de domingo.

O evento começa às 18 horas e 10 minutos no estádio da Maracanã na terra do samba e aqui, sob os olhos do nego d`água, os juazeirenses, com extraordinária euforia, alojam-se defronte “da maior invenção da humanidade” para acompanhar, pela emissora do Plim Plim, a transmissão do combate esportivo.

No asfalto que cruza as adjacências do São Geraldo, uma carroça levando capim pleiteava com veículos, movidos a derivados do petróleo, uma cavidade pela qual pudesse passar. As ruas estreitas e as calçadas “particulares” fazem com que trausentes, carros, bicicletas, vacas, cavalos e porcos disputem o mesmo espaço. Aos 27 minutos de bola no campo o terrível acontece: O Botafogo faz o primeiro gol, para desespero do senhor albino de meia idade, que conduzia um robusto jegue pé-duro responsável pelo movimento de sua carroça, enquanto ouvia a narração do jogo num aparelho celular. Seria a fusão do antigo e o moderno? Será mais uma vítima do capitalismo selvagem ou é “apenas” uma forma de inclusão tecnológica?

O jovem porteiro negro da escola Aprígio Duarte se concentra para tentar, em meio a ruídos técnicos do aparelho, ouvir a narração do jogo, que já está no 2º tempo, no seu encanecido e ultrapassado rádio de pilha. Herança da antiga Rádio Globo que transmitia os campeonatos cariocas a nível nacional fazendo com que se criasse o hábito de torcer pelo Flamengo. Será que é por isso que esse time tem a maior torcida do país?

De repente: O árbitro marca pênalti contra o botafogo. O jogador flamenguista Íbson prepara-se para cobrar o pênalti. Gooooooooooool! Pronto. Bastou o Flamengo colocar a bola na rede para que o vigilante acometido de tamanho júbilo saísse correndo desesperado pela rua, deixando sua guarita à paisana.

No bar de Edi, famoso por fornecer marmitas aos estudantes da Uneb e pela frase “acabou a cerveja”, quando os acadêmicos resistem até tarde a consumir no seu estabelecimento, deixa de canto o som de ritmos variados para ceder lugar à televisão. Sentados em mesas, os torcedores “comem água” enquanto observam o jogo. Muitos deles estão com camisas "genéricas" do Clube carioca, compradas provavelmente num conglomerado de barracas, onde comerciantes de todos os gêneros exibem sua mercadoria para os fregueses que ali circulam. È o mercado popular de Juazeiro.

Tardelli faz o segundo gol para o Flamengo. Toda a cidade de Juazeiro comemora. Enquanto isso, os jogadores do time juazeirense treinam para conseguir ser campeão baiano. Quando não há partida do Juazeiro no mesmo dia em que o Flamengo, é certo que o estádio Adauto Morais terá público e o time poderá contar, em algumas condições, com sua torcida fiel. Final de Jogo: 2 x1 flamengo.

É só culpa do mosquito?

Outro dia lá em casa a fera (chamamos assim a pessoa recém-chegada na residência estudantil de Juazeiro da Universidade do Estado da Bahia), amanheceu com mal estar, reclamando que não dormira à noite e que passara a madrugada em claro devido ás fortes dores que sentia. Estava com febre alta e dores nos olhos, então sugeri que fôssemos ao posto de saúde do bairro São Geraldo, defronte à nossa residência.

Então lembrei-me que esta não seria uma boa idéia, visto que no posto, além de ser difícil conseguir uma das dez vagas diárias de atendimento, corria o risco de não haver medicamento para abrandar suas dores. Até hoje espero minha consulta no otorrino que a “dedicada” recepcionista ficou de me ligar quando fosse marcada. Soubemos então, que o posto de saúde localizado atrás do Mercado Almeida atendia todos os casos de suspeita de dengue naquela localidade. Isso mesmo, naquela ocasião já tinha a convicção que a fera estava com dengue!
Após a hora do almoço fomos em direção ao tal posto médico. Saco vazio não para em pé ainda mais quando o saco está furado. Chegando lá encontramos o bendito posto com as portas fechadas e várias pessoas, com os mesmos sintomas da fera, esperando que o atendimento médico se iniciasse.

Às duas horas, a recepcionista, “sempre simpática e alegre, feliz com seu trabalho”, avisou que não teriam vagas suficientes para atender todas as pessoas presentes e que os enfermos que chegaram por último deveriam procurar o hospital da Santa Casa de Misericórdia, localizado no centro de Juazeiro, pois lá teria subsídios necessários a um bom atendimento dos doentes e para a confirmação da doença nos casos de suspeita de dengue.

Não tivemos remédio, seguimos para o hospital misericordioso. Assim que entramos no recinto, muita gente doente, moribunda, crianças chorando, um grande pandemônio, fizeram com que a fera, acometida de um milagroso restabelecimento, decidisse por voltar para casa e ser atendida no dia seguinte.

No outro dia, a adoentada não quis mais se consultar com os médicos, tomou algumas aspirinas de Paracetamol e começou a beber bastante liquido em casa, limitando-se a repousar.
Uma colega da outra residência feminina avisou-me que outra residente estaria com suspeita de dengue. Esta já havia ido ao tal hospital da Santa Casa e não conseguiu consulta, então passei a informação que nos fundilhos do mercado tinha um posto de atendimento aos doentes dengosos. Na hora pensei: “ontem não consegui o atendimento para a fera e hoje acabei sugerindo algo que não tinha sido satisfatório no dia anterior”. Mas o que eu iria fazer, se esta “vitima” também tinha ido à opção que eu julgava certa e não tinha sido atendida? Eu me senti na obrigação de oferecer uma esperança.

A cidade não está dando conta de diagnosticar os doentes e tampouco cuidar deles. Outro dia liguei para a prefeitura solicitando que o inseticida fosse disponibilizado no bairro São Geraldo, visto a grande quantidade de mosquitos Aedes aegypti encontrados na região, bem como a enorme quantidade de água parada existente no local. Do outro lado da linha o funcionário avisava que o material de combate ao mosquito da dengue estava escasso e não teria como passar no bairro.

Aí entendi o desespero do povo. Qualquer dorzinha de cabeça corre para os hospitais afirmando que está com dengue. As pessoas não vêem os agentes de saúde de combate a endemias nos seus bairros. A fera lá de casa avisou que não estava com dengue, pois suas dores passaram, era apenas uma mera gripe e a garota da outra residência (graças a Deus!) conseguiu ser atendida no posto dos fundos do Almeida, no caso dela o mosquito (fêmea) transmissor se alimentou do seu sangue.

E nos outros casos? E as crianças chorando nos hospitais, será que foi um resfriado, será que foram atendidas? “Quem souber morre”, quer dizer, mata o mosquito da dengue.

Cortejo carnavalesco



No começo da manhã ouço gritos de desespero, ao espreitar pela janela vejo uma senhora acompanhada de uma jovem que seguia aos prantos com as mãos sobre a cabeça pros lados do bairro Itaberaba. Entre seus gritos ela lamentava o que tinha ocorrido. Seu companheiro falecera.

Sabia apenas que era o dono do bar, apelidado por algumas acadêmicas, de Risca faca donde crianças e adultos se reuniam para jogar sinuca, beber e dançar embalados no freqüente e irritante som do grupo Garotos de Programa que tocava no aparelho eletrônico. Por que Garotos de Programa? Será uma alusão à exploração sexual tão característica na região ou o grupo optou por este denotar um aspecto positivo para a comercialização de suas músicas que por sinal refletem o nome dado à banda?

O carro utilizado para divulgar a morte do comerciante começava a entoar uma música triste de funeral informando e convocando a comunidade para prestar as últimas homenagens ao bom homem. São as notas de falecimento tão comum na cidade, hábito costumeiro dos moradores de Juazeiro onde todos sem distinção de classes, ricos, pobres, pretos, brancos recorrem a este meio de comunicação para dá ciência de um morto.

O veículo passa lentamente pelas ruas divulgando o que acabara de acontecer cruzando com o som de outros automóveis donde se pode escutar a certa distância músicas de uma banda com “influências inglesas” como o Marreta you Planeta, afinal estamos no carnaval e é preciso decorar as letras das canções dos artistas que estarão na cidade para quando estiver de abadá na avenida não fazer feio. E mais todos precisam saber que o carro tem um som potente e isso (quando homem) é sinônimo de masculinidade.

No bar do falecido também ocorriam, esporadicamente, a dança de São Gonçalo, um modo de pagamento de promessa ao Santo português por uma graça alcançada. Embora se trate de uma manifestação cultural religiosa é de se estranhar que esse ritual tão antigo não tenha espaço durante as festas ditas “populares” da cidade. Supõe-se que tal esquecimento das autoridades locais sejam os desvelos com as obras e monumentos públicos que enfeitam a cidade.

No começo da tarde, pode-se observar o cortejo funeral onde familiares e amigos em meio ao calor escaldante seguiam o artefato de madeira que continha o finado.

Chegando à frente da faculdade de agronomia, a comitiva fúnebre teve que redobrar a atenção visto que a saída e entrada de automóveis e motos dos portões que dá acesso à universidade aliado aos transportes públicos que trafegam numa agilidade digna de evento esportivo, poderiam causar mais um cadáver.

Ao passar pelos logradouros, curiosos moradores, comerciantes locais, principalmente, donos de açougues donde se desconhecem a origem e a qualidade dos produtos vendidos – muitas vezes esses estabelecimentos são abastecidos durante a noite, será que os consumidores teimam em comprar carne sem verificar sua procedência? - e trabalhadores de uma indústria de couro, que fica ás margens do Rio São Francisco, observam o mortuário lamentando o acontecimento nefasto.

Próximo á Avenida Adolfo Viana os parentes do morto decidem seguir pela orla, lembrando que o defunto gostava de ver o velho Chico nos fins da tarde de segunda, quando o seu botequim lhe dava algum descanso.

Gostava de Cruzar juazeiro e Petrolina abordo das barquinhas, meio pelo qual muitas pessoas utilizam diariamente para chegar a seus destinos embora não seja assegurada nenhuma norma de segurança já que os botes salvas vidas, que deveriam ser utilizados pelas pessoas logo que entrancem nas barcas não são fornecidos pelos funcionários desta condução limitando apenas a ficar no teto amarrado em redes. È possível também que os usuários, acometidos de um reflexo dos personagens de Velocidade Máxima II possam soltar deste meio fluvial de transportes a fim de se refrescar. O problema é que essas aventuras nem sempre terminam com o final feliz.

Sua companheira afirmava que o falecido, grande admirador das águas de Chico, andara preocupado nos últimos meses, pois o nível do rio teimava em apresentar numeração negativa e o jejum de D. Cáppio não fora suficiente para impedir que as obras da transposição do rio fossem retomadas. E os ribeirinhos, que estão pulando carnaval, parecem terem esquecido desta questão.

A ponte Presidente Dutra (que liga Juazeiro/Ba a Petrolina/Pe) se aproxima e o cortejo afugenta atenção para as obras que irão duplicá-la. Ultimamente a plataforma que liga Pernambuco a Bahia tem sido o pretexto de atrasos nos compromissos devido aos congestionamentos. È por ela que passa diariamente caminhões com mercadorias que vão para todos os cantos do mundo oriundo das fazendas de fruticultura dos dois estados. È a riqueza que brota da terra mais que não chega a um desprovido como o dono do boteco que hoje jaz no caixão.

Agora a corte fúnebre passa defronte pelo famoso bairro do Santo Antonio em direção ao cemitério municipal da cidade donde o proprietário do bar Risca faca irá se demudar e nos dias que se seguirem outros iguais a eles, fazedores dos mesmos planos e com preocupações e anseios parecidos irão ter o mesmo destino que ele.