Um fim de semana como tantos outros que vindoura nas terras ardentes de Juazeiro, se não fosse um bendito programa típico dos brasileiros que reúne, na frente da televisão, os habitantes dessa cidade: A partida entre Flamengo x Botafogo pela disputa da Taça Guanabara do Campeonato Carioca de Futebol. Sim, mas qual a relação entre esse jogo e a "cidade da terra do sol" como Juazeiro é chamada pelos estudantes oriundos da capital baiana? E por que o Juazeiro já ficou sem público no mesmo dia em que havia jogo do Flamengo?
Em frente ao reformado posto municipal de saúde do bairro São Geraldo pode se ver casas. Estas com frentes arborizadas e local onde, nas primeiras horas da manhã pacientes que disputam dez “ingressos” de atendimento no centro médico se aglomeram em longas filas na esperança de serem medicados por um enfermeiro, é ocupado, agora, pelos “seus donos” que instalam cadeiras e mesas para reunir parentes e amigos durante o jogo “no calçadão irregular e azulejado da sua porta”. Com portas e janelas escancaradas e grande algazarra, dá a entender que não se trata de mais uma reunião familiar de domingo.
O evento começa às 18 horas e 10 minutos no estádio da Maracanã na terra do samba e aqui, sob os olhos do nego d`água, os juazeirenses, com extraordinária euforia, alojam-se defronte “da maior invenção da humanidade” para acompanhar, pela emissora do Plim Plim, a transmissão do combate esportivo.
No asfalto que cruza as adjacências do São Geraldo, uma carroça levando capim pleiteava com veículos, movidos a derivados do petróleo, uma cavidade pela qual pudesse passar. As ruas estreitas e as calçadas “particulares” fazem com que trausentes, carros, bicicletas, vacas, cavalos e porcos disputem o mesmo espaço. Aos 27 minutos de bola no campo o terrível acontece: O Botafogo faz o primeiro gol, para desespero do senhor albino de meia idade, que conduzia um robusto jegue pé-duro responsável pelo movimento de sua carroça, enquanto ouvia a narração do jogo num aparelho celular. Seria a fusão do antigo e o moderno? Será mais uma vítima do capitalismo selvagem ou é “apenas” uma forma de inclusão tecnológica?
O jovem porteiro negro da escola Aprígio Duarte se concentra para tentar, em meio a ruídos técnicos do aparelho, ouvir a narração do jogo, que já está no 2º tempo, no seu encanecido e ultrapassado rádio de pilha. Herança da antiga Rádio Globo que transmitia os campeonatos cariocas a nível nacional fazendo com que se criasse o hábito de torcer pelo Flamengo. Será que é por isso que esse time tem a maior torcida do país?
De repente: O árbitro marca pênalti contra o botafogo. O jogador flamenguista Íbson prepara-se para cobrar o pênalti. Gooooooooooool! Pronto. Bastou o Flamengo colocar a bola na rede para que o vigilante acometido de tamanho júbilo saísse correndo desesperado pela rua, deixando sua guarita à paisana.
No bar de Edi, famoso por fornecer marmitas aos estudantes da Uneb e pela frase “acabou a cerveja”, quando os acadêmicos resistem até tarde a consumir no seu estabelecimento, deixa de canto o som de ritmos variados para ceder lugar à televisão. Sentados em mesas, os torcedores “comem água” enquanto observam o jogo. Muitos deles estão com camisas "genéricas" do Clube carioca, compradas provavelmente num conglomerado de barracas, onde comerciantes de todos os gêneros exibem sua mercadoria para os fregueses que ali circulam. È o mercado popular de Juazeiro.
Tardelli faz o segundo gol para o Flamengo. Toda a cidade de Juazeiro comemora. Enquanto isso, os jogadores do time juazeirense treinam para conseguir ser campeão baiano. Quando não há partida do Juazeiro no mesmo dia em que o Flamengo, é certo que o estádio Adauto Morais terá público e o time poderá contar, em algumas condições, com sua torcida fiel. Final de Jogo: 2 x1 flamengo.
Em frente ao reformado posto municipal de saúde do bairro São Geraldo pode se ver casas. Estas com frentes arborizadas e local onde, nas primeiras horas da manhã pacientes que disputam dez “ingressos” de atendimento no centro médico se aglomeram em longas filas na esperança de serem medicados por um enfermeiro, é ocupado, agora, pelos “seus donos” que instalam cadeiras e mesas para reunir parentes e amigos durante o jogo “no calçadão irregular e azulejado da sua porta”. Com portas e janelas escancaradas e grande algazarra, dá a entender que não se trata de mais uma reunião familiar de domingo.
O evento começa às 18 horas e 10 minutos no estádio da Maracanã na terra do samba e aqui, sob os olhos do nego d`água, os juazeirenses, com extraordinária euforia, alojam-se defronte “da maior invenção da humanidade” para acompanhar, pela emissora do Plim Plim, a transmissão do combate esportivo.
No asfalto que cruza as adjacências do São Geraldo, uma carroça levando capim pleiteava com veículos, movidos a derivados do petróleo, uma cavidade pela qual pudesse passar. As ruas estreitas e as calçadas “particulares” fazem com que trausentes, carros, bicicletas, vacas, cavalos e porcos disputem o mesmo espaço. Aos 27 minutos de bola no campo o terrível acontece: O Botafogo faz o primeiro gol, para desespero do senhor albino de meia idade, que conduzia um robusto jegue pé-duro responsável pelo movimento de sua carroça, enquanto ouvia a narração do jogo num aparelho celular. Seria a fusão do antigo e o moderno? Será mais uma vítima do capitalismo selvagem ou é “apenas” uma forma de inclusão tecnológica?
O jovem porteiro negro da escola Aprígio Duarte se concentra para tentar, em meio a ruídos técnicos do aparelho, ouvir a narração do jogo, que já está no 2º tempo, no seu encanecido e ultrapassado rádio de pilha. Herança da antiga Rádio Globo que transmitia os campeonatos cariocas a nível nacional fazendo com que se criasse o hábito de torcer pelo Flamengo. Será que é por isso que esse time tem a maior torcida do país?
De repente: O árbitro marca pênalti contra o botafogo. O jogador flamenguista Íbson prepara-se para cobrar o pênalti. Gooooooooooool! Pronto. Bastou o Flamengo colocar a bola na rede para que o vigilante acometido de tamanho júbilo saísse correndo desesperado pela rua, deixando sua guarita à paisana.
No bar de Edi, famoso por fornecer marmitas aos estudantes da Uneb e pela frase “acabou a cerveja”, quando os acadêmicos resistem até tarde a consumir no seu estabelecimento, deixa de canto o som de ritmos variados para ceder lugar à televisão. Sentados em mesas, os torcedores “comem água” enquanto observam o jogo. Muitos deles estão com camisas "genéricas" do Clube carioca, compradas provavelmente num conglomerado de barracas, onde comerciantes de todos os gêneros exibem sua mercadoria para os fregueses que ali circulam. È o mercado popular de Juazeiro.
Tardelli faz o segundo gol para o Flamengo. Toda a cidade de Juazeiro comemora. Enquanto isso, os jogadores do time juazeirense treinam para conseguir ser campeão baiano. Quando não há partida do Juazeiro no mesmo dia em que o Flamengo, é certo que o estádio Adauto Morais terá público e o time poderá contar, em algumas condições, com sua torcida fiel. Final de Jogo: 2 x1 flamengo.

Um comentário:
Jacy, como sempre te disse é bom aventurar-se no jornalismo, ainda mais o literário. Mas, lembre-se cuide do narrador. É o narrador que constrói a cena. Sempre leia o que voce escreve, revise, veja como a narraçao se constrói. E lembre-se escrever bem não é encontrar sinônimos aleatórios, mas procurar a melhor palavra, a mais precisa, e talvez até a mas simples, que exprima o que quer/deseja o narrador-escritor.
felicidades e bjos
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